quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

ENVELHECER.....



Imagem pixabay





Todos vamos envelhecer... Querendo ou não, iremos todos envelhecer. 
As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar. A imagem no espelho irá alterar-se gradualmente e perderemos estatura, lábios e cabelos. 
A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, a força dos vinte e o erotismo dos trinta anos. O segredo não é reformar por fora. É, acima de tudo, renovar a mobília interior: tirar o pó, dar brilho, trocar os estofos, abrir as janelas, arejar o ambiente. 
Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior. E, quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte para suportar. 
Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história. 
Que usa a espontaneidade para ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos. Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios. 
Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo. 
Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores. 
Lembre-se: nenhum bisturi vai tratar do buraco de uma alma negligenciada anos a fio.

Adélia Prado, in Poesia Reunida, 


 É bom envelhecer, pois é sinal de que ainda estamos por cá, mas nem sempre é fácil. É necessário que a vida nos dê uma ajudinha, conservando-nos a lucidez, para mim, fundamental 

Como sabem. gosto muito de girassóis, mas, eles também envelhecem,,,,baixam a cabeça. perdem as folhas e deixam de procurar a luz. Tentemos conservar o verde nos nossos corações e, apesar do peso dos anos, sigamos de cabeça erguida, firmes e agradecidos por mais um dia, seja ele ensolarado ou chuvoso 

 Dedico este post a todos os idosos que se sentem abandonados, esquecidos nos hospitais e sofrendo de violência doméstica 

 Emília Pinto

domingo, 4 de janeiro de 2026

VIVER....SIMPLESMENTE




Imagem da  net

 

Na noite de passagem de ano, muitas festas se realizaram por toda a parte; promessas se fizeram, desejos se manifestaram e todos brindaram ao novo ano;  a alegria reinou!

 O que fiz eu ? Não prometi nada nem manifestei qualquer desejo, mas, claro, brindei ao novo ano, como manda a tradição

 Falta só a comemoração do dia de reis para que termine a época natalícia, uma época de correria, de desperdício, mas também de grande alegria, com a família unida à mesma mesa numa confraternização que, em geral, não acontece nos outros dias do ano.

No entanto, as guerras continuaram e mais uma começou com a invasão da Venezuela; muitos idosos mantiveram-se nos lares, outros esquecidos nos hospitais e muitos na solidão dos seus lares; a fome continuou em Gaza e noutros partes do mundo. 

Tenho já uma vida longa, felizmente, abençoada, mas, estou ciente de que nada mudará só por termos um ano com um número diferente. 

Seguirei como sempre, com cautela. um passinho de cada vez para não tropeçar, tentando tornar-me uma pessoa cada vez melhor e aceitando o que a vida me trouxer, porque, outro remédio não tenho 

Viver será o meu propósito para o novo ano, deixando que a luz do sol ilumine o meu caminho e que eu, de cabeça erguida. saiba agradecer-lhe 

Assim faz o girassol...assim. tentarei, eu, fazê-lo, Conseguirei? Não sei....

Obrigada, Amigos, pela companhia que me fizeram durante o ano que acabou e espero continuar a merecer o vosso carinho

 Emília Pinto

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

ANO NOVO

 



Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, 
espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?) 
não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumadas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem
 e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, 
começando pelo direito augusto de viver. 
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

 Carlos Drummond de Andrade


Queridos Amigos, quero agradecer o carinho  recebido há já tantos e tantos anos e espero continuar a merecer a vossa amizade neste 2026 que está à porta.

Saúde para todos vós e  muitos momentos felizes. 
Tentemos seguir os conselhos de Carlos Drummond de Andrade para que este novo ano seja muito mais do que um número diferente

Emília Pinto

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

NATAL......






...... e não Dezembro

Entremos, apressados, friorentos, numa gruta, no bojo de um navio, num presépio, num prédio, num presídio, no prédio que amanhã for demolido… 

Entremos, inseguros, mas entremos. 

Entremos, e depressa, em qualquer sítio, porque esta noite chama-se Dezembro, porque sofremos, porque temos frio. . 

Entremos, dois a dois: somos duzentos, duzentos mil, doze milhões de nada

Procuremos o rastro de uma casa, a cave, a gruta, o sulco de uma nave… 

Entremos, despojados, mas entremos. 

Das mãos dadas talvez o fogo nasça, talvez seja Natal e não Dezembro, talvez universal a consoada. – 


David Mourão-Ferreira, em ‘Cancioneiro de Natal


Queridos Amigos, com este belo poema, deixo votos de que tenham um Natal sereno, alegre, com a família reunida e que o novo ano nos traga a todos saúde e a esperança de que algum dia

" Das mãos dadas talvez o fogo nasça, talvez seja Natal e não Dezembro, talvez universal a consoada 


Emília Pinto

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

SOCIEDADE EGOÍSTA

 

Estamos a construir uma sociedade de egoístas. Se a ti te dizem que o que importa é o que compras, e segundo o que compras têm mais ou menos consideração por ti, então convertes-te num ser que não pensa senão em satisfazer os seus gostos, os seus desejos e nada mais. 
Não existe em nenhuma faculdade uma disciplina do egoísmo, mas não é preciso, é a própria experiência social que nos vai fazendo assim. Ao longo da História as igrejas e as catedrais eram os lugares onde se procurava um valor espiritual determinado. Agora os valores adquirem-se nos centros comerciais. São as catedrais do nosso tempo. 

 José Saramago, in 'El Mundo (2000) 

Hoje, pelos meios de comunicação, vi um alto dignatário das Nações Unidas. dando a conhecer ao mundo as dificuldades com que esta organização se debate para fazer face às necessidades das populações que estão a sofrer com a fome, com as catástrofes naturais, com as guerras e outros males, As contribuições das grandes potências, principalmente dos Estados Unidos, estão a diminuir drasticamente; as guerras continuam por toda a parte e a indústria do armamento enriquece com as nações cada vez mais preocupadas com a segurança.
Os recursos diminuem e com eles, desaparecem a EMPATIA global e a preocupação com a miséria humana. 
 
E assim, a ABASTANÇA tem contribuído  para uma " sociedade egoísta, uma sociedade cujos valores se adquirem nos centros comerciais; são, estes, as catedrais do nosso tempo " 

 Emília Pinto

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

ABASTANÇA

 Imagem Pixabay




Todos Vivem apenas para a sua Abastança... 

Os tempos actuais são tempos de aurea mediocritas e de indiferença, de paixão pela ignorância, de preguiça, de incapacidade para o trabalho prático e da necessidade de receber tudo já pronto. 

Ninguém raciocina, será raro alguém elaborar uma ideia pessoal  .
Hoje em dia exterminam as florestas da Rússia, esgotam os solos da Rússia, transformam a Rússia numa estepe e preparam-na para os calmuques. 

Se aparecer um homem de esperança que plante uma árvore, todos se rirão: «Será que vives até ela crescer?» 

Por outro lado, os que aspiram ao bem falam de como será dentro de mil anos. Desapareceu por completo uma ideia cimentadora. 

É como se toda a gente vivesse numa estalagem, preparando-se para fugir amanhã da Rússia. 
Todos vivem apenas para a sua abastança... 


 Fiodor Dostoievski, in 'O Adolescente ( Sec XIX 



Será que este texto, foi mesmo escrito no Sec XIX ?


Emília Pinto

domingo, 16 de novembro de 2025

DOIS DE NÓS

 Imagem pixabay



Dois de nós, o percurso de um casal na caminhada que se propuseram fazer a dois,  uma retrospectiva de suas vidas até à idade em que começaram a ser designados por " idosos. " 

Entre gargalhadas que provocam com o seu bom-humor, vão falando das transformações sofridas, tanto a nível físico como mental, aquela dor nas pernas, a coluna que, ao menor esforço já se queixa, a perda de amigos, quer por morte, quer por outras circunstâncias da vida de cada um, aqueles esquecimentos incomodativos e tantos outros transtornos que a idade traz 

 Depois vêm os lamentos por tantos erros cometidos, sempre um culpando o outro. as dores sofridas, principalmente aquela terrível, causada pela morte do filho na piscina de casa, um descuido que nenhum deles quer assumir como seu. 

São muitas as reflexões que fazem sobre cada sucesso, cada caída, cada ameaça de separação feita em momentos mais difíceis e a imensa felicidade com a chegada dos filhos e consequentes mudanças na vida de cada um. 

Mas é a mãe que mais se questiona sobre a maternidade; a prioridade começa a ser os filhos e muito dos seus sonhos ficaram para trás, assim como a carreira. Teria que ser assim? Claro que não! Mas, foi e, apesar disso, não se arrepende. Teria feito diferente se pudesse voltar atrás? Tentaria, pelo menos.... 

 E, com esta peça de teatro, DOIS DE NÒS, António Fagundes, Cristiana Torloni e um outro casal de actores, mais desconhecidos para mim, com a sala cheia, aqui em V.N. de Famalicão, na nossa Casa das Artes, deixaram-nos alegres, bem dispostos e  com uma forte mensagem...viver é uma arte, mas saber envelhecer é um aprendizado constante. 

Os problemas são muitos. a todos os níveis, mas é preciso ter em mente que os anos trazem-nos sabedoria, sensatez e mais humanidade; passamos a ver as coisas com outros olhos, a dar valor ao que realmente importa e deixar para trás aquelas pequeninas coisas que tanto nos atormentavam, mas que agora não passam de pequeninas curvas numa estrada reta ladeada de lindas flores

Revi-me nesta peça, meus Amigos....

 Obrigada, António Fagundes, Cristiane Torloni e restante elenco pelo tanto que nos ensinaram nesta peça, pela boa disposição e, principalmente, pelo cheirinho tão gostoso que me trouxeram do meu querido Brasil.


Amigos, têm sido tantos os espetáculos aqui em Portugal e também no Brasil que com certeza já conhecem a peça; gostaria de saber a vossa opinião sobre ela. Pode ser ? Obrigada!


Emília Pinto